Do campo ao espaço: Brasil lidera projeto científico para fazer vegetais crescerem na Lua e em Marte

Alessandra Fávero, pesquisadora que coordena a Rede Space Farming Brazil. Foto: Gisele Rosso/Embrapa.
Fernanda Toigo
Pesquisadores brasileiros integram projeto internacional para estudar o cultivo de alimentos frescos fora da Terra, e uma espécie de batata-doce é o principal foco do estudo.
A Rede Space Farming Brazil é uma iniciativa de pesquisa liderada pela Embrapa em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) que surgiu em 2022. O objetivo principal é desenvolver tecnologias e sistemas para o cultivo de alimentos frescos fora da Terra, apoiando a participação do nosso país nos Acordos Artemis da agência americana NASA.
Criada e coordenada pela Embrapa, a Rede Space Farming Brazil integra, atualmente, pesquisadores de cerca de 24 instituições brasileiras e internacionais. Crédito: Juliana Sussai.
O foco inicial foi priorizar o cultivo de variedades de batata-doce e grão-de-bico, escolhidas por sua alta adaptabilidade a condições extremas e valor nutricional. Acompanhe abaixo a evolução do projeto e todas as informações sobre estas variedades.
O que foi feito até agora
Um dos principais desafios para o grupo é a construção de um invólucro que consiga proteger as plantas da radiação ionizante cósmica. Essas condições extremas espaciais já foram simuladas em laboratórios e testes já foram feitos.
No ano passado, a Rede enviou sementes de grão-de-bico e plantas de batata-doce roxa em um foguete da Blue Origin à fronteira do espaço na missão do voo suborbital a bordo do New Shepard-31. Eram variantes da coleção da Embrapa já aprimoradas para serem mais produtivas e nutritivas.
Os pesquisadores ainda aguardam o retorno desses alimentos ao Brasil para estudos comparativos das plantas que participaram da missão e aquelas que permaneceram na Terra.
“Caso demonstrem certo grau de tolerância ao crescimento em ambientes com microgravidade e radiação, essas plantas poderão ser candidatas promissoras para o cultivo no espaço”, comentou em entrevista Alessandra Fávero, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste que coordena a Rede Space Farming Brazil.
E por que eles escolheram essas duas variedades? Porque nenhuma das duas plantas é exigente em termos de cultivo. Elas precisam de menos água e calor do que outras culturas.
O grão-de-bico é uma boa fonte de proteína e versátil para o consumo, enquanto a variedade roxa da batata-doce (a batata-doce BRS Anembé), desenvolvida pela Embrapa, é rica em antocianinas, um poderoso antioxidante. Pesquisas anteriores já mostraram que a antocianina nas sementes as protegem contra a radiação espacial.
A cultivar de batata-doce BRS Anembé desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições. Crédito: Carla Timm.
Mas, provavelmente, o futuro dos alimentos espaciais envolverá o desenvolvimento de variedades mais robustas de batata-doce e grão-de-bico, com propriedades para ciclos de crescimento mais curtos, maiores rendimentos e maior conteúdo nutricional.
A primeira fase do projeto são essas simulações na Terra. A segunda fase prevê testes em órbita terrestre e, a terceira fase, experimentos em espaço profundo, como na Lua.
(Com Meteored Brasil)
Comentários
Postar um comentário