Exportações do agro para países árabes avançam 5% no primeiro semestre









 
Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo

As exportações do agronegócio brasileiro para os 22 países da Liga Árabe cresceram 5% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando US$ 7,03 bilhões.

O desempenho reforça a resiliência do setor diante dos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio, que desde fevereiro dificulta a navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais da região.

Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o agronegócio respondeu por aproximadamente 75% de todas as exportações brasileiras para a Liga Árabe no período.

Para o secretário-geral da entidade, Mohamad Mourad, o resultado demonstra que o Brasil conseguiu preservar sua posição como principal fornecedor de alimentos para os países árabes, apesar dos desafios logísticos.

"O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado", afirmou.

Nos seis países do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, as exportações do agronegócio somaram US$ 2,58 bilhões no primeiro semestre, uma queda de 1,06% em relação ao mesmo período de 2025.

Ainda assim, a Câmara Árabe considera o resultado expressivo diante das restrições impostas pelo conflito.

Segundo Mourad, exportadores brasileiros reorganizaram a logística para manter o abastecimento da região, utilizando portos no Mar Vermelho e complementando o transporte com modais rodoviário e aéreo. O custo adicional da operação tem sido dividido entre exportadores, importadores e consumidores finais.

Milho, carne bovina e soja compensam queda do açúcar e frango

Entre os principais produtos exportados, o açúcar permaneceu na liderança, apesar de uma retração de 7,45% nas vendas, para US$ 1,79 bilhão. A carne de frango, segundo principal item da pauta, também registrou queda, de 9,99%, totalizando US$ 1,57 bilhão.

As perdas, no entanto, foram compensadas pelo avanço de outras commodities agrícolas. As exportações de milho cresceram 49,51% no semestre, alcançando US$ 794,9 milhões. As vendas de carne bovina aumentaram 7,33%, para US$ 792,27 milhões, enquanto os embarques de soja avançaram 14,19%, somando US$ 758,49 milhões.

Para Mourad, a diversificação da pauta exportadora contribuiu para manter o desempenho positivo do agronegócio brasileiro na região, mesmo em um cenário de instabilidade geopolítica.
Expectativa de aceleração no segundo semestre

A Câmara Árabe avalia que as exportações podem ganhar ritmo nos próximos meses com o início da formação de estoques para o Ramadã. Em 2027, o mês sagrado dos muçulmanos terá início em fevereiro, o que tradicionalmente impulsiona as compras de alimentos entre setembro e novembro.

Além da sazonalidade, a entidade observa que importantes mercados continuaram ampliando as compras de produtos brasileiros. No primeiro semestre, as exportações para os Emirados Árabes Unidos cresceram 6,01%, para US$ 1,72 bilhão, enquanto os embarques para a Arábia Saudita avançaram 11%, chegando a US$ 1,51 bilhão.

Também houve forte expansão nas vendas para o Egito, com alta de 31,73%, e para a Argélia, que ampliou as importações do Brasil em 12,49%.

Na avaliação da Câmara Árabe, o crescimento das exportações agropecuárias para a Liga Árabe reforça a capacidade do setor brasileiro de manter mercados estratégicos mesmo diante de dificuldades logísticas e de um cenário internacional mais desafiador.

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