Além de carne, Brasil quer exportar mais frutas e café à Coreia do Sul











 

Apex Brasil
João Nakamura e Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo

Durante encontro empresarial em São Paulo, presidente da Apex destacou o potencial de ampliação da parceria agropecuária entre os países

O governo brasileiro voltou a sinalizar a ampliação das relações comerciais com a Coreia do Sul, tendo o agronegócio como um dos principais vetores da parceria. Desta vez, além de carne bovina, potencial de expansão para frutas, café e biocombustíveis foram destaques no discurso do presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Laudemir Müller.

As declarações foram feitas durante o Brazil-Korea Business Roundtable, promovido pela ApexBrasil, em parceria com a Federação das Indústrias Coreanas (FKI), nesta terça-feira (28).

O encontro reuniu também o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do setor privado para discutir novas oportunidades de investimentos e de comércio bilateral. Na ocasião, Alckmin elogiou a previsibilidade e confiança de relação comercial com os sul-coreanos, o que deve facilitar a abertura de mercados pelo Brasil.

A expectativa da Apex é que o fortalecimento da agenda entre Brasil e Coreia do Sul contribua para ampliar o acesso de produtos do agronegócio brasileiro a um mercado de alto poder aquisitivo e crescente demanda por alimentos de qualidade, especialmente em segmentos de maior valor agregado.

Para a carne bovina, passo importante para as exportações brasileiras ocorrem entre os dias 11 e 20 de agosto, quando estão marcadas visitas da missão sanitária sul-coreana. Fiscais voltarão ao Brasil para inspecionar sistemas de produção de proteína animal. A avaliação é vista pelo governo e pelo setor como a etapa final antes da eventual habilitação de frigoríficos brasileiros para exportar ao país asiático, além de destravar as negociações comerciais entre o Mercosul e a Coreia do Sul.

A confirmação da missão foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, durante visita de Estado do líder asiático a Brasília na segunda-feira (27). A abertura do mercado de carne bovina é considerada o principal entrave histórico na relação comercial entre os dois países e um dos pontos que, há cerca de 17 anos, dificultam o avanço das tratativas entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
Frutas e café




Já no segmento de frutas, a aproximação com a Coreia do Sul também é vista como estratégica para diversificar os destinos das exportações brasileiras na Ásia pela representante do segmento Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados). Assim como o mercado de carne, as comitivas sul-coreanas já tem data prevista para setembro para realizar inspeções in loco e finalizar o processo de habilitação das exportações de uva.

O acordo fitossanitário foi concluído em janeiro, restando apenas a definição de tarifas e de procedimentos burocráticos para o início dos embarques. Para a Abrafrutas, o país coroa a relação com a Ásia, que deverá responder por mais de 40% do consumo mundial de frutas até 2030 e ser o principal vetor de expansão das exportações brasileiras.

Além da uva, produtos como manga, melão, melancia e avocado também figuram entre as apostas do setor. Especialmente a manga saiu ganhando em fevereiro deste ano, quando houve uma redução da tarifa de exportação da fruta de 30% para 5% a Coreia do Sul.

A entidade projeta que as exportações brasileiras de frutas possam alcançar cerca de US$ 2 bilhões até 2028, impulsionadas pela abertura de novos mercados na região.

No caso do café, atualmente a Coreia do Sul é o 12º maior comprador do grão brasileiro, com um volume que ultrapassou 964 mil sacas de 60 kg, em média, nos últimos anos. Os dados são do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

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