Cota chinesa para carne bovina pode atingir 94,5% até o fim de junho








Projeção da Terra Investimentos indica que o limite para importações nos portos brasileiros será atingido entre os dias 12 e 14
Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
China estabeleceu para este ano uma cota de importação de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina • Divulgação


A cota de importação de carne bovina da China para 2026 deverá atingir 94,5% de preenchimento até o dia 30 de junho, segundo levantamento da Terra Investimentos.

Os dados indicam que o volume já internalizado pelo país asiático, somado às cargas em trânsito embarcadas pelo Brasil, deixa um saldo estimado de apenas 60,3 mil toneladas disponíveis dentro da cota anual.

A China estabeleceu para este ano uma cota de importação de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina. Até maio, as informações da GACC (Administração Geral das Alfândegas da China) mostram que 723,8 mil toneladas já haviam sido desembaraçadas nos portos chineses, o equivalente a 65,4% do limite anual.

Além do volume já confirmado pela GACC, a Terra Investimentos incorporou ao cálculo os embarques brasileiros registrados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Os dados apontam que 153,9 mil toneladas exportadas em maio devem chegar à China entre junho e julho, enquanto outras 168 mil toneladas projetadas para junho têm desembarque estimado entre julho e agosto.
Somando o volume já internalizado pela China e o chamado "pipeline" logístico conhecido entre maio e junho, o total comprometido alcança 1,045 milhão de toneladas, ou aproximadamente 94,5% da cota anual.

Segundo a análise elaborada por Geraldo Isoldi, da Mesa Agro da Terra Investimentos, o ritmo dos embarques sugere que o limite disponível para importações dentro da cota pode se esgotar rapidamente.

“Na nossa projeção, estaremos com 94,5% da cota preenchida até o dia 30 de junho”, afirma Isoldi.

O estudo estima que o esgotamento da cota nos portos brasileiros ocorra entre os dias 12 e 14 de julho. Considerando o intervalo médio de 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada aos portos chineses, esse fluxo corresponderia a desembarques no país asiático entre o fim de agosto e o início de setembro.

A eventual saturação da cota é acompanhada de perto pelo mercado global de proteínas, já que importações realizadas após o preenchimento do limite ficam sujeitas a tarifas adicionais. O cenário pode influenciar decisões de compra de importadores chineses e estratégias comerciais de frigoríficos exportadores nos próximos meses.

A Terra Investimentos ressalta que o acompanhamento dos embarques de julho e agosto será decisivo para confirmar o momento exato de preenchimento da cota e os possíveis impactos sobre o fluxo comercial entre Brasil e China.

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