“Taxa de Guerra” e alta do diesel elevam custos para o agronegócio










Imagem: Portal Sou Agro



A instabilidade geopolítica no Oriente Médio ultrapassa fronteiras geográficas e já reflete diretamente no bolso do produtor e das indústrias de alimentos no Brasil. Embora o mercado árabe não seja o destino direto de produtos como a carne suína, o impacto logístico e os custos de transporte criaram um novo cenário de desafios para o setor.

Em entrevista ao Portal Sou Agro, o presidente da Frimesa, Elias Zydek, detalhou como os fatores externos — muitas vezes fora do controle da gestão interna das empresas — estão moldando as estratégias do agronegócio para os próximos meses.


O Peso da Logística Internacional

Um dos impactos mais imediatos citados por Zydek é o encarecimento do transporte marítimo. Mesmo para exportações destinadas à Ásia, África e América Latina, as rotas globais foram afetadas por uma sobrecarga financeira.

As companhias de navegação implementaram a chamada “taxa de guerra”, um adicional que varia entre US$ 2.500 e US$ 3.000 por contêiner de 25 toneladas. Esse valor pressiona a margem de lucro das exportações brasileiras, tornando o produto menos competitivo ou reduzindo a rentabilidade.

Reflexos no Mercado Interno: Diesel e Frete Rodoviário

Não é apenas o mar que sente os reflexos dos conflitos. Dentro das fronteiras brasileiras, a volatilidade do petróleo impactou o preço do combustível:


* Alta do Diesel: O combustível subiu acompanhando a incerteza internacional.

* Impacto no Transporte: Esse aumento já se traduziu em uma elevação de cerca de 7% no custo do frete rodoviário nacional.

“Esses conflitos, essa questão toda, queira ou não queira, está interferindo nos planos”, pontua o presidente.

Rentabilidade em Risco

Apesar do cenário de incertezas, há um ponto de otimismo: a demanda por comida. Zydek acredita que, por se tratar de um item essencial, o volume de alimentos comercializados não deve cair. O problema, no entanto, reside na saúde financeira da operação.

A combinação de política monetária (juros), câmbio, política fiscal e agora os conflitos internacionais cria um ambiente de “cenários não controláveis”.

Estratégia de Cautela

Para enfrentar esse período, a palavra de ordem é adaptabilidade. Segundo o executivo, a Frimesa trabalha com a possibilidade de ajustar o ritmo de produção conforme o cenário evoluir:

* Desacelerar quando os riscos externos e os custos de logística comprometerem a viabilidade.

* Acelerar conforme as oportunidades de mercado e a estabilização dos custos permitirem.

“São riscos do negócio que poderão haver lá na frente. A rentabilidade pode ser afetada, e é isso que nos preocupa”, finaliza Elias Zydek.

(Com Portal Sou Agro)

Comentários