Arthur Bambini, da CNN Brasil*, Brasília
REUTERS/Stringer
O número de cabeças de suínos no Brasil deve chegar até 53 milhões até 2030, segundo projeções da FGV (Fundação Getúlio Vargas), um crescimento de 10% frente ao número atual.
Esse rebanho acompanha uma projeção da fundação que prevê crescimento de 11,2% do PIB e queda de 1,21% na inflação no período.
Segundo o pesquisador responsável pelo estudo “Futuro da pecuária de pequenos animais até 2030”, Cícero Zanetti, o crescimento na população de suínos acompanhará a demanda interna gerada pelo aumento de renda.
“Com o acréscimo de renda, você começa a trocar ou consumir mais proteína, principalmente para suínos e aves, e aí isso acaba demandando mais a produção”, explica o pesquisador.
O estudo aponta que a maior parte dos rebanhos se concentrará na região Sul do país, que vai agregar cerca de 28,1 milhões de cabeças nos próximos cinco anos.
A FGV projeta também um aumento significativo, mas em menor escala, em centros “não tradicionais” de produção, como Roraima, que pode chegar a 247 mil suínos, que deverá registrar um crescimento de 222% frente a 2019, e Pernambuco, que deve dobrar o número de cabeças, totalizando 1,7 milhão de animais. “Essa diversificação tira o peso todo da produção do centro-sul”, destacou.
Sustentabilidade
Apesar de ser menos poluente que a bovinocultura, a suinocultura é responsável pela emissão de grande quantidade de metano e gases poluentes, o que irá aumentar proporcionalmente com o crescimento da população dos animais.
Para Zanetti, o setor tem uma “janela de oportunidade” nos próximos anos para reaproveitar essas emissões, uma tendência pouco aproveitada atualmente.
“Produtores podem, por exemplo, reutilizar o metano ou criar um novo mercado através da utilização do metano para biogás”, afirmou.
Esta já é a realidade do suínocultor Alexandre Cerci. Com a produção de mais de 10.000 cabeças por ano na zona rural do Distrito Federal, Cerci preza pela sustentabilidade na criação dos animais.
Segundo o empresário, tudo que é produzido na fazenda é reaproveitado para criação de biofertilizantes e biogás.
Na avaliação do estudo da FGV, a tendência é que mais produtores sigam a postura de Cerci e privilegiem o reaproveitamento do esterco e do biometano, como forma de diversificação de renda para além do mercado de proteína e de autossuficiência nas fazendas.
Além do biogás, Zanetti projeta também maior uso de bioinsumos no setor, o que garante "digestão melhor, uma digestão mais rápida e emitam menos gases".
“O Brasil está ampliando a capacidade produtiva na pecuária de pequenos animais, mas essa expansão vem acompanhada de pressões ambientais crescentes”, destaca o estudo.
Caprinos e ovinos
O estudo projeta um crescimento menos significativo no número de cabeças de caprinos e ovinos em 8,9%. De acordo com a pesquisa, o crescimento será menos expressivo devido ao menor interesse de consumo dessas proteínas.
A produção deve continuar concentrada em estados do Nordeste, como Piauí, Pernambuco, Bahia e Ceará.
O estudo projeta um crescimento significativo do número de cabeças na Bahia, podendo atingir cerca de 5,7 milhões de caprinos e 7,5 milhões de ovinos até 2030.

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