Presidente do BB prevê 95% da carteira em agro em dia em 2026









Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil

Apesar de inadimplência alta no agro, que já havia sido constatada pela presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, nesta quinta-feira (23), demonstrou mais otimismo ao assegurar que, ainda este ano, 95% da carteira de agro estará em dia. Mesmo assim, a executiva reconhece que o endividamento continuará pressionando os próximos meses.

"Este ano a gente espera alcançar, pelo menos, algo em torno de 95% de pontualização da carteira do agro. Isso mostra que o trabalho de requalificação de carteira do agro e traduz como esse processo, iniciado em 2025, de uma adoção de nova matriz de resiliência e novas medidas em relação ao processo de cobrança de recuperação de crédito", disse a presidente.

Segundo Medeiros, ano passado foi um período de ajustes que passarão agora por um processo de "consolidação e prova" e, por isso, 2026 é "muito decisivo". A afirmação aconteceu durante reunião anual com investidores, o chamado BB Day.

Há um mês, no último anúncio sobre o agro, a executiva tinha se referido ao cenário restritivo como um "ponto de inflexão" ao setor. Na ocasião, Medeiros explicou que as quebras na safra no início de 2025 causaram uma pressão sobre a cadeia e o movimento culminou em uma nova projeção do Banco, na época, sob o status de revisão. As operações do BB chegaram a R$ 35 bilhões para crédito e renegociação de dívidas de produtores rurais.

Em fevereiro deste ano, o resultado financeiro do banco foi declarado como o pior em duas décadas em razão do comportamento financeiro do agronegócio. Naquele momento, a executiva falou aos investidores que a inadimplência do setor chegava a 500%. A instituição fechou 2025 com um lucro de R$ 20,7 bilhões, recuo de 45,4% em relação a 2024.

Para este ano, a previsão de guidance era de recuperação de ao menos 16% do lucro. Agora, no BB Day, a presidente sinaliza que a melhora do setor deve acontecer, ainda que de maneira "gradual" no que diz respeito à qualidade do crédito, mas distante de um cenário plenamente normalizado.

A recuperação, de acordo com Medeiros, depende do avanço das renegociações e da recomposição da renda dos produtores, após um período marcado por custos elevados e oscilações nos preços das commodities.

“Não vai ser um ano fácil”, disse ao relacionar 2026 a um período de recuperação da carteira agropecuária. O Banco deve seguir com a mira em gestão do risco e no suporte aos clientes do setor.

A fala reforça a leitura de que, apesar da relevância estratégica do crédito rural para o Banco do Brasil, o segmento ainda exige cautela no curto prazo, especialmente diante do ambiente de juros elevados e do endividamento acumulado por produtores nos últimos ciclos.

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