
Reprodução/vídeo Aty Guasu
Fernanda Toigo
Um novo episódio de tensão foi registrado na segunda-feira (27) na Reserva Limão Verde, localizada entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, na região de fronteira com o Paraguai. A ação envolve agentes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), em meio a um conflito com indígenas dos povos Kaiowá e Guarani.
Segundo relatos de lideranças locais, houve uso de armamento não letal, como bombas de efeito moral, além de disparos durante a operação. A intervenção ocorre após a retomada de uma área reivindicada pelos indígenas, que inclui parte da Fazenda Limoeiro, território que faz divisa com a reserva.
Disputa territorial intensifica conflito
A área em questão está sobreposta ao tekoha Tapykora Kora, inserido na Terra Indígena Iguatemipeguá II, que passa por processo de identificação e delimitação desde 2008. A retomada do espaço por grupos indígenas teria motivado a mobilização das forças de segurança estaduais.
Casos como esse são recorrentes na região sul de Mato Grosso do Sul, onde há histórico de disputas fundiárias envolvendo comunidades indígenas e proprietários rurais, frequentemente judicializadas e marcadas por tensão.
Comunidade relata cenário de violência
Até o momento, não há confirmação oficial sobre feridos ou detenções durante a operação. No entanto, indígenas relatam clima de medo e pedem a intervenção de autoridades federais, incluindo a Força Nacional de Segurança Pública.
Em contato com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), um morador da aldeia descreveu a situação:
“Está muito ruim aqui. Chegaram com muito ódio, sem diálogo, estão atacando sem piedade. Pedimos socorro, nossas famílias, idosos, estão no rumo das bombas e tiros”
Contexto de conflitos na região
A região de fronteira entre Brasil e Paraguai concentra algumas das disputas territoriais mais sensíveis do país, envolvendo processos de demarcação ainda não concluídos. A demora na regularização fundiária é apontada por especialistas como um dos principais fatores para a recorrência de confrontos.
Organizações indígenas e entidades de direitos humanos têm cobrado maior atuação do governo federal para mediar os conflitos e garantir a segurança das comunidades, enquanto autoridades estaduais afirmam atuar para manter a ordem e cumprir decisões judiciais.
O caso segue em acompanhamento, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das apurações.
(Com Pix News MS)
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