Foto: Embrapa
Fernanda Toigo
A Embrapa lançou 30a plataforma Trigo no Brasil, que reúne dados e mapas sobre toda a cadeia produtiva do cereal — da produção ao consumo, passando por importação, exportação e processamento. A ferramenta traz ainda uma análise inédita sobre sistemas irrigados e de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região em expansão.
Em 2024, o País importou 7 milhões de toneladas de trigo, único grão em que não é autossuficiente. Ao mesmo tempo, tornou-se exportador: entre 2020 e 2025, os embarques cresceram 11,5 vezes, com destino à Ásia, África e Oriente Médio. A produção nacional também vem aumentando, reduzindo a dependência externa.
A plataforma, desenvolvida pela Embrapa Territorial (SP) e Embrapa Trigo (RS), com apoio de outras unidades, atende demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e integra projeto para incentivar o cultivo em ambiente tropical. Além de dados sobre produção, importação e exportação, o site apresenta informações sobre processamento, empregos, custos, preços e infraestrutura, detalhadas por microrregiões.

Entre os destaques, está o painel sobre produção de sementes, que detalha oferta para diferentes usos e predominância de cultivares novas ou antigas. Outro estudo estima que, no Cerrado, cerca de 314,8 mil toneladas anuais foram produzidas em sistema irrigado (2019-2022), contra 560 mil toneladas em sequeiro. “Conhecer essas estimativas ajuda no planejamento da expansão da cultura”, afirma Álvaro Dossa, analista da Embrapa Trigo.

A plataforma também projeta cenários para ampliar a produção nacional, seja pelo aumento de rendimento nas áreas já cultivadas, seja pela expansão em regiões com recomendação de cultivo. No Sul, por exemplo, as lacunas de rendimento poderiam gerar até 1,8 milhão de toneladas adicionais. Já em áreas de soja e milho, há potencial de conversão para até 5 milhões de hectares de trigo.
Além disso, mapas mostram a distribuição de cooperativas, moinhos e armazéns, revelando gargalos da cadeia. Dados sobre comércio internacional apontam que, em 2024, o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas, principalmente pelo Porto de Rio Grande (RS), com o Vietnã como maior destino. As importações, por sua vez, vieram sobretudo da Argentina, desembarcadas no Porto de Santos.
“A plataforma preenche uma lacuna de dados organizados e estimativas que ajudam a dimensionar a cadeia e planejar sua expansão”, avalia Hilton Silveira, da Embrapa Territorial.
(Com Embrapa)

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